lara, primeiro mês

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Trouxemos-te para casa numa manhã de sábado cinzenta e chuvosa. O teu pai vinha nervoso e os teus irmãos ansiosos, ainda no hospital perguntaram se poderiam brincar contigo logo que chegássemos a casa. Vinhas acordada, talvez a perceber que estavas em algum lugar diferente. À tarde apareceram algumas visitas, andaste em alguns colos e choraste um bom bocado, tanto é que a tua irmã declarou logo que eras uma chorona e nunca irias parar. Não sabias estar acordada e na tua primeira noite em casa parecias não saber adormecer também, choraste e choraste até às 3:30 da madrugada. No segundo dia eu era uma perfeita zombie, a dar o meu máximo para não te deixar cair enquanto te amamentava. Eu já devia estar a espera, afinal um bebé que deu 5 voltas na barriga 4 semanas antes de nascer e só se posicionou 2 dias antes do parto só poderia ser um bebé muito… hmm.. agitado?!

Mas no segundo dia em casa estavas diferente, mais calma, ambientada talvez, dormir e comer passou a ser a tua rotina. Ainda estávamos no hospital quando eu decidi que não haveriam horas rigídas para te amamentar, a mínima suspeita de que tinhas fome, comias, independentemente se tinhas amamentado a 1h atrás. Ao terceiro filho a experiência fala mais alto, eu tenho muitas vezes aquela sensação de que já vi este filme e tenho confiança para seguir os meus instintos maternos. Ser o terceiro filho tem de ter das suas vantagens, não concordas?

O teu sono era (e ainda o é) sagrado mas os teus irmãos encontraram sempre formas de te acordar, a curiosidade por ti era tanta que eu não os conseguia conter. Desde o início, mesmo quando ainda tinhas o olhar parado no horizonte, gostaste de estar perto deles, por mais barulhentos e ciumentos que fossem. Ainda não tinhas um mês de vida quando eles brigaram para ler um livro para ti.

Neste primeiro mês tivemos umas noites nada memoráveis e que me renderam pelo menos duas grandes enxaquecas. Nunca fizeste mais de 4 horas de sono a noite e definitivamente não és tão dorminhoca como a tua irmã Alice que dormia a noite toda desde o segundo dia de vida, mas eu mantenho a esperança que a história mude.. um dia, brevemente..

Um dos meus maiores desafios neste mês foi manter-te quentinha e sem constipações. A minha estratégia era enrolar-te sempre nas milhares de mantas de tricot feitas pela bisa que herdaste dos teus irmãos, muitas ainda mal usadas pois eles nasceram no verão, num calor absurdo de julho, enquanto tu vieste no inverno, uma estação que eu rezo para passar a correr (fato que me trouxe sentimentos dúbios pois eu não queria que o meu tempo em casa contigo passasse a correr). O teu pai deu-te a alcunha/apelido de Charutinho pois toda vez que eu te entregava para ele, estavas perfeitamente embrulhada em lã. Todos na família passaram a chamar-te assim neste primeiro mês.

Já ia esquecendo de referir que os banhos foram o teu segundo lugar preferido (algum quer adivinhar qual é o primeiro?) desde o início, adoraste estar na banheira desde o primeiro banho e eu usei esta estratégia algumas vezes para te adormecer e acalmar.

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25 de Abril

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No ano que eu nasci o meu país (Brasil) encontrava-se sob uma ditadura militar. A repressão era dura, as pessoas eram impedidas de se expressarem livremente, não tinham acesso a informação que não fosse filtrava pela censura e viam os seus direitos constitucionais serem ignorados. Quem queria se expressar artisticamente tinha de deixar o país e pedir exílio no estrangeiro, como fizeram por exemplo Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque, entre tantos outros. Eu não vivi nada disto, quando já tinha idade por perceber as coisas melhor, os jovens já saiam às ruas pelas Diretas Já. Eu só conheço uma sociedade democrática, que nos permite dizer o que pensamos, ir e vir sem ter que pedir autorização do Estado, criar, criticar e protestar livremente. As conquistas de outras gerações nos permitem isto e eu acho que nunca devemos deixar de valorizar a liberdade que hoje temos, especialmente em alturas como agora quando no meu país e até mesmo por aqui surgem vozes a pedir a volta da ditadura.

Os meus filhos desceram a Av. da Liberdade, com cravos nas mãos a festejar, mesmo sem perceber muito bem o que, mas sabendo que o dia 25 de abril não é um dia qualquer, é sim um dia diferente e especial.

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tinycottons SS16

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Ano passado fui apanhada de surpresa com um convite muito especial vindo de uma das minhas marcas preferidas, a tinycottons.

Então, num fim-de-semana chuvoso de junho, eu agarrei na minha câmera, nos meus filhos e nas lindas peças da coleção de verão deste ano e saímos pela cidade a tirar fotografias sempre que a chuva dava uma trégua e o sol dava a sua graça. Algumas destas imagens foram selecionadas para fazer parte do catálogo SS16 da tinycottons.

Hoje publico aqui algumas das minhas preferidas.

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A minha entrevista e as imagens selecionadas estão no blog da tinycottons aqui.

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Fragmentos, partes, exertos, pedaços, recortes, … alguns momentos do passado fim-de-semana.

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  1. manhã lenta, sem pressas para vestir nem para nada.
  2. aquarelas.
  3. viva aos novos amigos e fins-de-tarde no parque.
  4. irmãos.
  5. sofia em apuros.
  6. dupla de dois.
  7. vista do escritório.
  8. desenhos animados na cama.
  9. cópias e mais cópias no computador novo dele.
  10. livro novo.
  11. clube do livro.
  12. antes da chuva 5 minutos lá fora.
  13. a disputa dos colos.

e daqui a pouco começa outro. bom fim-de-semana!

Páscoa

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A Páscoa veio como a nossa primeira oportunidade de escapar de casa e pegar a estrada pela primeira vez com 3 crianças no banco de trás. Uma aventura um pouco mais atribulada do que eu estava a espera mas lá conseguimos chegar ao Algarve.. Já tinhamos saudades e como! Ahhh a casa da bisa faz-nos tão bem!

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O coelho da Páscoa também compareceu por lá, embora atrasado.. parece que ele também teve bebé e anda muito ocupado e por isso esqueceu-se de deixar os chocolates no meio da noite mas lá pelo meio da manhã os chocolates apareceram como por magia e foi a festa geral.

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A Lara fez a sua estréia na casa da bisa e encheu os corações de toda gente, esteve em todos os colos e prometeu voltar logo.

 

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Depois de um período de muito cansaço, pouca inspiração e falta de motivação para fotografar eu eu tomei uma decisão: fotografar mais. Fotografar mais e não apenas em momentos especiais e não necessariamente em momentos perfeitos mas sobretudo em momentos simples, básicos do dia-a-dia que não se repetem e embora não sejam perfeitos no sentido de que podem não ser no cenário mais idílico ou na melhor luz do dia, têm uma espontaneidade e honestidade que é imbatível e portanto muito poderosa.

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  1. caras e caretas é o que está no menu.
  2. maçãs só com casca.
  3. morangos, morangos, morangos, fruta preferida.
  4. irmãs, 4 anos e meio de diferença.
  5. primeiros dias em casa, difícil largar o bebé.
  6. independência começa por saber se vestir sozinha.
  7. colagem feita pela alice e o vicente. um lembrete para mim de que preciso imprimir imagens mais recentes.
  8. levando o balão passear.
  9. idem 8.
  10. ar fresco, balões ao ar.
  11. brinquedo novo.

Lara

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Hoje completa 6 semanas a Lara – nossa bebê que chegou dia 24 de fevereiro – e pareceu me uma boa ideia dar as caras por aqui. Embora muitas pessoas já saibam do seu nascimento através do meu Instagram, eu sei que para outras será uma enorme surpresa. Uma surpresa que também foi nossa quando soubemos que ela vinha a caminho! A gravidez também explica em parte o meu sumiço do blog uma vez que as minhas energias iam se esgotando a cada centímetro que a minha barriga crescia. Eu agora com ela ao colo, literalmente, tento regressar mas tem sido difícil escrever mais de 2 parágrafos que sejam minimamente coerentes. Por isso não me comprometo, vou publicando posts ao ritmo que a vida me permite nesta fase.

Um abraço a todos.